Most played this week Posted 2/8/2010 4:17:10 PM
Forward to Friend | Comments (0)
^,-,^ Posted 4/23/2009 9:00:16 AM  O amor é uma companhia
O amor é uma companhia. Já não sei andar só pelos caminhos, Porque já não posso andar só. Um pensamento visível faz-me andar mais depressa E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo. E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar. Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas. Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona. Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
Alberto Caeiro
Meu coração tardou
Meu coração tardou. Meu coração Talvez se houvesse amor nunca tardasse; Mas, visto que, se o houve, houve em vão, Tanto faz que o amor houvesse ou não. Tardou. Antes, de inútil, acabasse.
Meu coração postiço e contrafeito Finge-se meu. Se o amor o houvesse tido, Talvez, num rasgo natural de eleito, Seu próprio ser do nada houvesse feito, E a sua própria essência conseguido.
Mas não. Nunca nem eu nem coração Fomos mais que um vestígio de passagem Entre um anseio vão e um sonho vão. Parceiros em prestidigitação, Caímos ambos pelo alçapão. Foi esta a nossa vida e a nossa viagem.
Fernando Pessoa
CAMINHO I
Tenho sonhos cruéis; n'alma doente Sinto um vago receio prematuro. Vou a medo na aresta do futuro, Embebido em saudades do presente...
Saudades desta dor que em vão procuro Do peito afugentar bem rudemente, Devendo, ao desmaiar sobre o poente, Cobrir-me o coração dum véu escuro!...
Porque a dor, esta falta d'harmonia, Toda a luz desgrenhada que alumia As almas doidamente, o céu d'agora,
Sem ela o coração é quase nada: Um sol onde expirasse a madrugada, Porque é só madrugada quando chora.
Camilo Pessanha
Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Durmo ou não? Passam juntas em minha alma Coisas da alma e da vida em confusão, Nesta mistura atribulada e calma Em que não sei se durmo ou não.
Sou dois seres e duas consciências Como dois homens indo braço-dado. Sonolento revolvo omnisciências, Turbulentamente estagnado.
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois. Disperto. Enfim: sou um, na realidade. Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois, De quê, esta vaga saudade?
Fernando Pessoa
Forward to Friend | Comments (0) |